Evento no Museu Nacional de Brasília promove intercâmbio cultural em celebração ao Dia Mundial do Refugiado

O MigrArte reuniu pessoas de diferentes lugares do mundo com cinema, gastronomia, feira cultural e atividades ao ar livre.

Aisha, refugiada de Uganda, ensina uma das participantes como se coloca um turbante. Foto: ©ACNUR/Mariana Lyrio.

 Aisha, refugiada de Uganda, ensina uma das participantes como se coloca um turbante. Foto: ©ACNUR/Mariana Lyrio.

Brasília, 22 de junho de 2017 – Brasileiros, migrantes e refugiados de diversos países se reuniram no sábado ensolarado do dia 17 de junho para celebrar o Dia Mundial do Refugiado no MigrArte. O evento contou com uma série de atividades cujo charme centrou-se na integração dos refugiados e migrantes com a população local.

O paquistanês Zeeshan, que há dois anos transita por Brasília compartilhando os pratos típicos de seu país, participou da feira gastronômica do evento, que aconteceu no Museu Nacional. Ele contou, animado, que sua solicitação de refúgio foi aprovada há duas semanas, e agora ele quer trazer o resto da sua família, que permanece no país de origem. Sobre a adaptação no Brasil, Zeeshan afirma estar bem integrado e feliz com a cultura. “Eu amo morar aqui”, enfatizou.

Uma mistura de cheiros, cores e sabores caracterizou a feira gastronômica, uma das principais atrações, onde os participantes tinham à sua disposição um cardápio amplo de pratos doces e salgados de diversos países, como Síria, Paquistão, República Democrática do Congo, Cuba, Colômbia, Venezuela, Índia, Senegal, Gana e Filipinas.

Zeeshan prepara um dos pratos típicos do Paquistão. Foto: ©ACNUR/Flávia Faria.

Zeeshan prepara um dos pratos típicos do paquistão. Foto: ©acnur/flávia faria.

Aisha, refugiada de Uganda, ministrou um workshop de turbantes. Ela mora há quase três anos do Brasil e diz gostar muito do país, onde se adaptou bem. Na feira, ela ensinou às participantes como se amarra, tradicionalmente, um turbante.

Já no Espaço Criativo, a arte e os tecidos com estampas vívidas e grafismos também cativaram o público. Os expositores vendiam artesanato e artigos de moda de onze países diferentes. Havia roupas do Senegal, colares e bijuterias de El Salvador e vestimentas típicas de Gana, entre outros. Mutiya, de Gana, vendia vestidos e turbantes. Ela está no Brasil há cerca de um ano e gosta muito do país, mas contou que sua maior dificuldade é a língua, que ainda não conseguiu aprender.

O objetivo do evento foi promover a celebração da paz e dos direitos humanos por meio do intercâmbio cultural, além de destacar a realidade dos imigrantes e refugiados. Estima-se que cerca de mil pessoas passaram pelo Museu da República durante o evento, que celebrava a sua terceira edição.

“OLHARES SOBRE O REFÚGIO”

O MigrArte também acolheu a mostra de filmes internacionais “Olhares sobre o Refúgio”. A abertura foi conduzida por Nanã Mattos e compreendeu uma ampla seleção de apresentações artísticas do pianista e ativista social Gabriel Piernes, de 14 anos, e seus amigos. As atrações musicais começaram com exibições de dança e violino e seguiram com diversas interpretações do bandolinista Ian Coury. Os jovens integrantes do grupo Batucar impressionaram utilizando apenas o seu próprio corpo como instrumento musical. Por mais variadas que fossem as suas apresentações, os jovens que integraram o show de abertura têm algo em comum: todos são voluntários em causas sociais no Distrito Federal.

Irmã Rosita Milesi, diretora do IMDH, emocionou a plateia quando, em seu discurso, lembrou da importância da solidariedade para a causa dos refugiados. Além disso, representantes da Defensoria Pública da União, da Embaixada do Canadá, do Governo de Brasília e do ACNUR ressaltaram que a ajuda ao refugiado deve partir de todos os seguimentos da sociedade, desde o governo até o cidadão comum.

A entrada do Museu Nacional acolheu a feira cultural do MigrArte. Foto: ©ACNUR/Victoria Hugueney.

O ACNUR apresentou um vídeo da campanha do Crianças em Fuga, que procura ajudar as crianças que são obrigadas a fugir dos países do Triângulo Norte da América Central (TNAC) - Guatemala, Honduras e El Salvador - devido à violência de gangues na região.

O vídeo foi seguido da exibição do filme “Bem-vindo ao Canadá”, o primeiro da mostra “Olhares sobre o Refúgio”, cujo intuito é trazer diferentes perspectivas sobre a temática a partir de produções nacionais e estrangeiras. A mostra já passou por Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro e seguirá para São Paulo no dia 22/06. A mostra de filmes internacionais projetou, ainda, o documentário ficcional “Era o Hotel Cambridge” e a produção ítalo-palestina “Estou com a Noiva” e encerrou-se com o d ocumentário “Exodus: de onde eu vim não existe mais”.

A mostra teve como objetivo honrar o Dia Mundial do Refugiado, que é celebrado em todo o mundo no dia 20 de junho, é uma homenagem à resistência e perseverança de milhões de pessoas que foram forçadas a deixar seus locais de origem por causa de guerras e perseguições, buscando em outro país a proteção necessária para reconstruir suas vidas. Em todo o mundo, existem mais de 65 milhões de pessoas forçadas a se deslocar por diferentes tipos de conflitos, sendo que 21,3 milhões são reconhecidas como refugiados.

O evento, que recebeu apoio do Museu Nacional, foi uma organização conjunta entre a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Coletivo Bambuo, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e a campanha Mais Pontes Menos Muros.

Fonte: ACNUR

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