Com o tema “Fraternidade e Políticas Públicas” e o lema “Serás Libertado pelo direito e pela Justiça” (Is1,27), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lança oficialmente a Campanha da Fraternidade-2019. A Campanha terá seu período intensivo durante a Quaresma, onde a Igreja Católica busca chamar a atenção da sociedade sobre a importância de políticas públicas para garantir a segurança, a ordem, o bem-estar, a dignidade por meio de ações baseadas no direito e na justiça.

Durante o caminho Quaresmal até a Páscoa de Cristo, a Campanha da Fraternidade propõe à brasileiras e brasileiros algo a mais que a simples reflexão sobre as políticas públicas, mas, convida e interpela à participação política e cidadã, independentemente de um ou outro partido político. Insiste na defesa dos direitos já conquistados e referendados na Carta Magna de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, pois, possibilitou a participação direta da sociedade na elaboração e implementação de Políticas Públicas.

O Cardeal D. Sérgio Rocha, presidente da CNBB, em sua fala de abertura da Campanha enfatiza que esse ano o foco será o cuidado para o bem comum e o fortalecimento da cidadania expressa no Evangelho. “É tarefa de todo cidadão, de todo cristão, participar na elaboração e concretização de ações que visem melhorar a vida de todas as pessoas. Essa é a verdadeira obra de misericórdia que podemos realizar em nossas vidas: pensar em ações que integrem a todos na sociedade”, enfatizou.

A Campanha sublinha a importância da Política Pública não somente como ação do governo, mas também a relação entre as instituições e os diversos atores, sejam individuais e coletivos, envolvidos nas soluções específicas para necessidades e problemas da sociedade. Nesse sentido, a Política é evidenciada como expressão de caridade, como “o cuidado do todo” e a participar nas discussões e execução de políticas públicas, ajudando a construir uma verdadeira fraternidade.

Raquel Dodge, Procuradora-geral da República, presente na abertura da Campanha da Fraternidade, declarou que “Essa campanha toca na esperança dos brasileiros e brasileiras”, e propõe expectativas outras para a solução dos problemas enfrentados no cotidiano. “A fraternidade é uma força poderosa, porque brota de um espírito vivo e vibrante e se transforma em ações concretas. A constituição de 88 conclama a população a ser fraterna, pluralista e sem preconceitos, e visa construir uma sociedade livre, justa e igualitária. Por isso, a fraternidade que move os verdadeiros cristãos, deve mover, o Estado brasileiro”.

Desde 1964, anualmente, é realizada a Campanha da Fraternidade as quais passam por temas e fases diversas: a primeira,“Em busca da renovação Interna na Igreja”; a segunda: “A igreja se preocupa com a realidade social do povo, denunciando o pecado social e promovendo a justiça, e a terceira fase, na qual se insere a campanha deste ano: “A igreja se volta para situações existenciais do povo brasileiro”.

Ao longo dos anos, as Campanhas refletiram e debateram temas como: educação, negritude, mundo do trabalho, libertação, migrações, tráfico de pessoas, comunidade, entre outros. As Campanhas visam também arrecadar fundos de solidariedade, dos quais 40% é revertido a projetos que atendam os objetivos do tema de sensibilização proposto no ano e os outros 60% permanece nas Dioceses para atender projetos locais.

 

 

PALAVRA DO PAPA FRANSCISCO

Conforme a mensagem o Papa Franscisco para a Campanha da Fraternidade de 2015, “A Quaresma é um tempo favorável para os cristãos saírem da própria alienação existencial”. Neste ano, o Papa em sua declaração, ressalta que a todas as pessoas devem se sentir protagonistas das mudanças sociais para o bem comum:

“Inspirados pelo desta Campanha da Fraternidade, e seguindo exemplo divino Mestre que ‘Não veio para ser servido, mas para servir’ (Mt. 20,28), devem buscar uma participação mais ativa na sociedade como forma concreta de amor ao próximo, que permita a construção de uma cultura fraterna baseada no direito e na justiça. De fato, como lembra o Documento de Aparecida, “São os leigos de nosso continente, conscientes da sua chamada à santidade em virtude de sua vocação batismal, os que têm de atuar à maneira de um fermento na massa para construir uma cidade temporal que esteja de acordo com o projeto de Deus”

Muito embora aquilo que se entende por políticas públicas seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição. ”

(Fragmento da mensagem do Papa direcionada à Campanha da Fraternidade 2019)