Nesta segunda, 8 de fevereiro, Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas e de memória litúrgica de Santa Bakhita – símbolo do compromisso da Igreja contra a escravidão, Francisco dirigiu a mensagem a todos que trabalham, estudam e refletem contra o fenômeno – além de quem viveu e está vivendo hoje o drama do tráfico em primeira pessoa – e que estão unidos espiritualmente e rezando na maratona on-line, inclusive, através de vários momentos inter-religiosos. Esta jornada especial, disse o Pontífice, é importante para “encorajar a não parar de rezar e lutar juntos” e a promover gestos concretos, que “abram caminhos para a emancipação social” de toda pessoa escravizada para “voltar a ser protagonista livre da própria vida”.

“Caríssimos, este é um Dia de Oração. Sim, há necessidade de rezar para apoiar as vítimas do tráfico e as pessoas que acompanham os processos de integração e reinserção social. É preciso rezar para que possamos aprender a nos aproximar com humanidade e coragem a quem é marcado por tanta dor e desespero, mantendo viva a esperança. Rezar para sermos sentinelas capazes de discernir e fazer escolhas orientadas para o bem. A oração toca o coração e nos impulsiona a ações concretas, a ações inovadoras, corajosas, que sabem assumir o risco, confiando no poder de Deus (cf. Mc 11:22-24).”

A economia solidária: aquela do cuidado
A própria memória litúrgica de Santa Bakhita, comentou o Papa, ajuda a invocar a “dimensão da fé e da oração” pelas “pessoas traficadas, as suas famílias e comunidades”. Já sobre gestos concretos para ajudar a combater o fenômeno, Francisco oferece três direções para seguir ao destino de uma “Economia sem Tráfico de Pessoas”. A primeira delas que seja uma economia de cuidado, ou seja, que cuide “das pessoas e da natureza”, criando oportunidades de emprego, por exemplo, “que não explorem o trabalhador com condições de trabalho degradantes e horários extenuantes”.

“Uma economia de cuidado significa uma economia solidária: trabalhamos por uma solidez que se conjuga com a solidariedade. Estamos convencidos de que a solidariedade, bem administrada, dá origem a uma construção social mais segura e mais sólida.”

A economia justa para as pessoas
O Papa também sugeriu que se promova uma economia justa em favor das pessoas, não de interesses dominantes como o lucro:

“Uma economia sem tráfico de pessoas é uma economia com regras de mercado que promovem a justiça e não interesses especiais exclusivos. O tráfico de pessoas encontra terreno fértil na abordagem do capitalismo neoliberal, na desregulamentação dos mercados que visa maximizar os lucros sem limites éticos, sem limites sociais e sem limites ambientais. Se essa lógica for seguida, há apenas o cálculo das vantagens e desvantagens. As escolhas não são feitas com base em critérios éticos, mas, sim, através do favorecimento de interesses dominantes, muitas vezes habilmente revestidos com uma aparência humanitária ou ecológica.”

A coragem de uma nova economia
Por fim, na mensagem em vídeo, o Papa ressaltou que para promover uma economia sem tráfico de pessoas é preciso, antes de tudo, coragem na escolha, “não no sentido da imprudência, das operações arriscadas em busca de lucros fáceis”. Ao contrário, comentou Francisco: é preciso “audácia” para uma construção paciente que não vise “única e exclusivamente a vantagem em curtíssimo prazo, mas os frutos a médio e longo prazo e, sobretudo, as pessoas”.

“Por tudo isso, uma economia sem tráfico de pessoas é uma economia corajosa – é preciso coragem. […] A coragem de conjugar o lucro legítimo com a promoção do emprego e de condições dignas de trabalho. Em tempos de grande crise, como o atual, essa coragem é ainda mais necessária. Na crise, o tráfico prolifera, como todos nós sabemos: vemos isso todos os dias. Na crise, o tráfico prolifera; portanto, precisamos fortalecer uma economia que responda à crise de uma forma que não seja míope, de forma duradoura, de forma sólida. Queridas irmãs e irmãos, coloquemos tudo isso nas nossas orações, especialmente hoje, por intercessão de Santa Bakhita.”

Fonte: Vatican News