Participação na COP30

O projeto marcou presença  na COP-30, realizada em Belém de 10 a 21 de novembro de 2025. Presente nos dias 12 a 15, Ir. Rosita Milesi participou nas discussões globais sobre mudanças climáticas e justiça ambiental. Com a presença da Irmã Rosita, de Davide Torzili (ACNUR) e de Alfonso Herrera, embaixador da Boa Vontade do ACNUR, o IMDH apresentou discurso que articulou uma reflexão crítica sobre a interconexão entre crises climáticas e deslocamentos humanos, propondo diretrizes fundamentadas em evidências para políticas públicas eficazes e apresentou a animação supracitada dirigida por Ítalo Cajueiro.

Webinário "Clima e deslocamentos humanos”: 17 de Dezembro de 2025

O webinário “Clima e Deslocamentos Humanos” realizado em 17 de dezembro de 2025 representou um marco significativo na comunicação e incidência do Projeto Nansen, funcionando simultaneamente como síntese do trabalho desenvolvido ao longo de 2025 e catalisador para o ciclo 2026. Este encontro virtual reuniu pesquisadores, ativistas, formuladores de políticas, organismos internacionais e comunidades afetadas em torno de temáticas de justiça climática e deslocamentos humanos. O webinário socializou as ações do projeto (600 pessoas em oficinas regionais, 300 crianças em jardins, formação do Grupo MAGIS), lançou formalmente o Caderno de Debates nº 19 “Refúgio, Migração e Cidadania”, exibiu a animação dirigida por Ítalo Cajueiro, promoveu debate qualificado entre diferentes vozes e apresentou um guia de ações práticas para mitigação climática no dia a dia — desde práticas individuais de consumo consciente até engajamento comunitário, advocacy político e transformação de narrativas. O evento atingiu aproximadamente 2.000 participantes em tempo real e mais de 5.000 visualizações em 48 horas, consolidando compromissos de novas parcerias institucionais e reafirmando o engajamento de universidades parceiras para 2026.

O webinário encarnou um princípio central do Projeto Nansen: A transformação real e duradoura emerge da articulação entre formação qualificada, narrativas humanizadoras que circulam amplamente, conhecimento institucionalizado em espaços acadêmicos e ação política concreta que transforma marcos e realidades. Para populações migrantes e refugiadas, funcionou como reafirmação de que suas experiências e análises são reconhecidas como centrais — não como questões humanitárias abstratas, mas políticas fundamentais que exigem transformação estrutural. Para formuladores de políticas, ofereceu base técnico-científica sólida para integrar clima e deslocamentos em agendas públicas. Para educadores e instituições acadêmicas, demonstrou urgência de que essa temática circule em currículos e pesquisas. O webinário de 17 de dezembro marca, portanto, um momento de consolidação política onde o Projeto Nansen reafirmou sua intencionalidade de transformação e convocou públicos múltiplos a caminhar junto rumo a futuros onde direitos de migrantes, refugiados e deslocados climáticos sejam garantidos com dignidade, segurança e reconhecimento.

Legado: Rede nacional clima e deslocamentos humanos

Todas as ações deste projeto convergem para um grande objetivo final. Ao ser concluído, em junho de 2026, o projeto deixará como legado a criação da Rede Nacional “Clima e Deslocamentos Humanos”.
Esta rede permanente reúne lideranças comunitárias, agentes militantes e organizações parceiras com um propósito claro: assegurar que o trabalho de formação, incidência política e proteção às populações deslocadas não apenas continue, mas se fortaleça. Nosso objetivo é construir resiliência comunitária para enfrentar os desafios climáticos do futuro. Cada membro assume compromissos concretos: participar ativa e criativamente, buscar recursos de forma colaborativa, mobilizar suas redes institucionais, compartilhar conhecimento e manter total transparência no uso dos recursos. Não falamos sobre as populações deslocadas; caminhamos com elas, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e influenciem diretamente as políticas públicas e os espaços de decisão, tanto nacional quanto internacionalmente.

A Rede se constrói a partir de uma convicção profunda: ninguém deve caminhar sozinho diante das tempestades climáticas que enfrentamos. Inspirada no princípio de que “se faz o caminho caminhando, mas nunca sozinho”, esta rede articula pessoas e instituições comprometidas com a justiça climática e a dignidade das populações em situação de deslocamento.

Acreditamos que migrantes e refugiados não são vítimas passivas das mudanças climáticas, mas agentes de transformação social cujas experiências, sabedorias e soluções criativas precisam estar no centro das decisões que afetam suas vidas. Para isso, praticamos a pedagogia da escuta, equilibrando o conhecimento científico, os saberes tradicionais e as narrativas vividas em espaços seguros de diálogo. Além disso, compartilhamos metodologias participativas adaptáveis e nos consolidamos como um repositório vivo de práticas de resiliência climática, oferecendo apoio solidário a organizações, pesquisadores e formuladores de políticas. Nossa rede reúne diversos setores – sociedade civil, universidades, comunidades de fé, movimentos sociais, governos e organizações internacionais – construindo pontes entre conhecimentos ancestrais e ciência contemporânea.

A Rede é um compromisso ético com a escuta, o diálogo, a partilha de saberes e a construção coletiva de horizontes de justiça e dignidade. Estamos convictos de que a justiça climática só será alcançada quando as vozes daqueles que mais sofrem os impactos das mudanças climáticas forem centrais nos processos decisórios. Caminhamos juntos porque se faz o caminho caminhando, e a rede é esse caminho – construído passo a passo, em diálogo, escuta e solidariedade, tecida pela dignidade e pela esperança de que, juntos, podemos construir futuros mais justos diante da emergência climática.