O Jardim das Infâncias Refugiadas e Migrantes constitui uma ação inovadora desenvolvida durante o mês de outubro de 2025, mês da criança, partindo do reconhecimento das crianças refugiadas e migrantes como produtoras de saberes, agentes de transformação e guardiãs de futuros sustentáveis, solidários e diversos. Foram desenvolvidas dez ações localizadas em cinco biomas no Brasil, implementadas em escolas, centros de acolhida e organizações não governamentais distribuídas nas cinco regiões do país, atingindo mais de 300 crianças, envolvendo nove nacionalidades distintas e mobilizando mais de 30 instituições.
As instituições que acolheram os Jardins estão localizadas estrategicamente em diferentes regiões.
Região Norte:
Espaço Saber (ONG) em Boa Vista/RR e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Waldir Garcia em Manaus/AM.
Região Nordeste:
a Escola Municipal Manoel Rocha Filho em Barreiras/BA; na Região Centro-Oeste, a Casa Bom Samaritano (Centro de Acolhida) em Brasília/DF, a Escola Municipal Camila Scaliz Figueiredo em Aparecida de Goiânia/GO e o Instituto Moinho Cultural (ONG) em Corumbá/MS;
Região Centro Oeste:
Casa Bom Samaritano (Centro de Acolhida) em Brasília/DF, a Escola Municipal Camila Scaliz Figueiredo em Aparecida de Goiânia/GO e o Instituto Moinho Cultural (ONG) em Corumbá/MS.
Região Sudeste:
Escola Municipal de Educação Infantil João Mendonça Falcão em São Paulo/SP e a Escola Municipal Georg Rodenbach em Juiz de Fora/MG.
Região Sul:
Círculos de Hospitalidade (ONG) em Florianópolis/SC e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Vicente Farecena em Santa Maria/RS.
A metodologia da ação estruturou-se em atividades lúdicas e pedagógicas que cada instituição adaptou conforme sua realidade. Os mediadores iniciavam com a leitura do livro “Pasito a Pasito Cruzando fronteiras: histórias de crianças venezuelanas”, que serviu como disparador narrativo sobre experiências migratórias. Seguia-se uma roda de conversa sobre migrações, deslocamentos e mudanças climáticas, criando espaço para que as crianças compartilhassem suas próprias experiências e reflexões. As crianças preenchiam atividades propostas no livro, como cruzadinhas e liga-pontos sobre a temática das migrações, combinando ludicidade com aprendizado temático. A produção de desenhos a partir do que foi debatido permitia a expressão criativa e artística das reflexões surgidas nas conversas. Jogos, canções e brincadeiras propostos pelas próprias crianças estimulavam sua participação ativa na construção da experiência. Finalmente, culminou-se com o plantio das mudas nativas e a criação do Jardim das Infâncias Refugiadas e Migrantes em cada localidade, materializando simbolicamente o compromisso com futuro sustentável.
Em uma jornada de acolhimento, aprendizado e transformação que percorreu diferentes cidades brasileiras, mais de 300 crianças migrantes e refugiadas originárias da Venezuela, Haiti, Bolívia, Nigéria, Paraguai e Líbano plantaram mudas nativas em suas comunidades, criando jardins que simbolizam raízes, esperança e pertencimento. Essas crianças foram reconhecidas como agentes ativos de transformação e guardiãs de futuros mais sustentáveis. Através da contação das histórias do livro “Pasito a Pasito: Cruzando Fronteiras”, que narra experiências de crianças venezuelanas em deslocamento, as participantes puderam reconhecer-se em narrativas similares às suas próprias trajetórias, compreendendo visceralmente que não estão sozinhas em suas jornadas. Esta identificação operou como ponte emocional e pedagógica, validando suas experiências enquanto as situava em contexto ampliado de deslocamentos climáticos e humanitários.
Com lápis de cor e muita criatividade, as crianças expressaram em desenhos seus sonhos, memórias e visões sobre sustentabilidade, deixando registros coloridos e significativos de um aprendizado que une consciência ambiental, acolhimento genuíno e protagonismo infantil. Com as mãos na terra, plantaram suas mudas nativas nas instituições, simbolicamente enraizando-se e reconstruindo pertencimento, mesmo que geograficamente deslocadas. Cada criança levou para casa um kit de jardinagem contendo regador, pá pequena e sementes de girassol, para continuar plantando e semeando vida em suas casas e comunidades, cultivando futuros mais verdes onde quer que estejam. A Rede Infâncias Protagonistas: refúgio, migração, arte e educação, sediada na Universidade de Brasília, foi a parceira responsável pela metodologia, articulação institucional das ações, realização de reuniões preparatórias e de avaliação com todos os mediadores. Essa articulação garantiu coerência metodológica e aprendizagem compartilhada entre os diferentes contextos de implementação, criando uma rede de conhecimento sobre práticas de educação com crianças refugiadas e migrantes centradas na sustentabilidade ambiental e na justiça climática.
As oficinas “Caminhos da Justiça Climática e Deslocamentos Humanos” representam uma ação formativa de grande envergadura que alcançou 300 pessoas em 4 regiões brasileiras. processos de formação, capacitação e sensibilização sobre clima e deslocamentos humanos. As cidades alcançadas distribuem-se estrategicamente: na Região Norte, Belém e Manaus (AM), na Região Centro-Oeste, Brasília (DF) na Região Sudeste, e Rio de Janeiro (RJ); e na Região Sul, Canoas (RS) e evidenciando uma presença nacional do projeto.h
A oficina constitui uma jornada pedagógica que incorpora a sabedoria e a trajetória humanitária de Irmã Rosita Milesi, ganhadora do Prêmio Nansen em 2024, através do lema inspirador “se faz o caminho caminhando”. Estruturada como metáfora de caminhada coletiva, a oficina guia participantes por sete etapas progressivas e cuidadosamente sequenciadas: chegada acolhedora, inspiração histórica, construção de conhecimento, sabedoria experiencial, pausa reflexiva, ação comunitária e retorno transformado. Cada etapa cria espaço integrado onde dimensões pessoais, comunitárias e políticas da crise climática são simultaneamente reconhecidas, mapeadas e enfrentadas através de dinâmicas participativas que valorizam tanto o saber científico quanto os conhecimentos territoriais e a criatividade das comunidades.