Projeto Clima e Deslocamentos Humanos inspira iniciativas acadêmicas também em Roraima

 

Amplia-se, passo a passo, a abrangência o Projeto Clima e Deslocamentos Humanos (Prêmio Nansen de Refugiados 2024). Em Brasília, na UnB, e em Boa Vista (RR), na Universidade Federal do estado, o tema da crise climática motiva cursos e disciplinas voltadas à reflexão acadêmica sobre justiça climática e combate às mudanças no clima do planeta: no Norte do país, mais especificamente na Universidade Federal de Roraima (UFRR), um minicurso chamado Crise Climática e Deslocamentos Humanos foi realizado em dezembro do ano passado no que pode ser descrito como um aperitivo para uma disciplina curricular em torno da temática.

A equipe de ministrantes foi composta pela Profa. Dra. Márcia Maria de Oliveira (PPGSOF/UFRR), Profa. Dra. Beatriz Patrícia de Lima Level (UFRR), Prof. Dr. Tácio José Natal Raposo (UERR), Mestranda Jéssica Carvalho Guimarães (PPGSOF), Irmã Terezinha Lúcia Santin (SPM/Cáritas), Adriana Pitta Silva (Mestranda do PPGSOF) e Leonardo Rocha (Mestrando do PPGSOF).

A ementa da atividade explica a articulação com o Projeto:

“O componente extensionista articula-se com o projeto ‘Clima e Deslocamentos Humanos’ do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e ACNUR, materializando a interface pesquisa-reconhecimento-políticas públicas através de laboratórios colaborativos, oficinas interculturais, advocacy baseado em evidências e produção de conteúdos propositivos que contribuam para o fortalecimento de redes de proteção e promoção de justiça climática.”

O encontro foi realizado durante o evento Direitos Humanos, Cidadania e Justiça em Perspectiva Multidimensional e contou com mais de 40 participantes.

A proposta pedagógica foi estruturada em torno de um “ciclo investigativo-propositivo”, com o objetivo de tornar os estudantes aptos a compreender a relação entre mudanças climáticas e mobilidade humana através do pensamento sociológico e antropológico; analisar como as desigualdades presentes na estrutura social podem amplificar vulnerabilidades climáticas; examinar processos de acolhimento e integração social e cultural em contextos de deslocamento forçado; e desenvolver propostas concretas de políticas públicas baseadas em evidências e reconhecimento intercultural.

O curso teve, inicialmente, uma carga horária de oito horas. A pedido dos estudantes, porém, foi estendido para além do evento – totalizando 40 horas de estudos.

A necessidade dos alunos de estender o debate evidencia o compromisso das novas gerações de profissionais com a temática da mobilidade forçada por contextos de crise climática, que é cada vez mais frequente.

O fomento ao debate em diferentes espaços facilita a manutenção da esperança em um futuro onde a humanidade estará mais preparada para o enfrentamento da crise e que provoque o entendimento dos governos de que é inadiável discutir soluções efetivas para superar os desafios que se apresentam.