Projeto Nansen 2024 inicia formação de rede para difundir justiça climática e direitos humanos

Na última sexta-feira, 27 de março, o projeto Clima e Deslocamentos Humanos – Nansen 2024 deu um passo decisivo para a consolidação de seu legado. Em uma reunião virtual emocionante e estratégica, migrantes, refugiados e parceiros que participaram das etapas iniciais da iniciativa reuniram-se para o primeiro encontro de formação de uma rede permanente de multiplicadores.

O objetivo é claro: garantir que o conhecimento gerado durante o projeto não se encerre em relatórios, mas siga pulsando e sendo propagado pelas mãos e vozes de quem vive na pele os desafios da mobilidade humana e das mudanças ambientais.

Uma rede de vozes globais
O encontro foi marcado por uma rica diversidade cultural, reunindo pessoas de diversas nacionalidades que hoje chamam o Brasil de lar. Com forte presença de haitianos e venezuelanos, mas incluindo representantes dos povos indígenas do Brasil e da Venezuela, por exemplo, a reunião permitiu que cada participante compartilhasse não apenas sua trajetória, mas sua visão sobre como a crise climática afeta diretamente suas comunidades de origem e seus processos de integração.

A criação deste grupo funciona como um sistema de “polinização” de conceitos: os participantes tornam-se embaixadores da causa, levando o debate sobre justiça climática para dentro de suas associações, bairros e grupos de convivência.

Reconhecimento e legado
Durante os depoimentos, um ponto em comum uniu as falas: a gratidão e o reconhecimento ao trabalho da Irmã Rosita Milesi e do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH). Muitos relatos destacaram como a abordagem do projeto Nansen 2024 — que une ciência, escuta ativa e acolhimento — transformou a percepção dos participantes sobre seu próprio papel na sociedade. Rosita, porém, pediu que o protagonismo da reunião coubesse aos refugiados e migrantes, em conjunto, porém, com os brasileiros e brasileiras, parceiros de jornada.

“Desejamos aproveitar esta reunião para apresentar-nos e nos conhecermos. É importante que todos e todas nos sintonizemos na finalidade do grupo e que se estabeleçam pontos de reflexão, de propostas e de abertura de um caminho construtivo em torno da temática que o Projeto Nansen elegeu e que é, sem dúvida, um apelo na realidade atual: a crise climática e seus efeitos na vida humana e na vida do Planeta”, afirma Ir. Rosita.

O conhecimento em movimento
Gloriane Antoine, migrante haitiana e uma das participantes da reunião, destacou o quanto o trabalho realizado pelo IMDH foi importante para que ela pudesse se estabelecer no Brasil. A realidade dela – que deixou seu país de origem por força de um terremoto ocorrido no Haiti – favorece a empatia por aqueles que são obrigados a abandonar seus países de origem por força dos eventos climáticos extremos.

“Estou sempre disposta a ajudar, todo engajamento trazido pela Irmâ Rosita nos mobiliza, na expectativa de fazermos a diferença”, disse.

Diferentemente de outras formações tradicionais, este grupo visa estabelecer-se em rede, tendo por princípio a horizontalidade. Ao longo da duração do projeto e para além dele, o grupo seguirá em contato constante, trocando experiências e difundindo os materiais produzidos, como cartilhas e vídeos educativos sobre deslocamentos climáticos.
Para o IMDH e para a rede de parceiros do Prêmio Nansen, este encontro virtual representa a materialização de uma aposta na educação como ferramenta de transformação. Quando o conhecimento é compartilhado com quem está na ponta, ele ganha vida própria e força política para pautar novas políticas públicas e ações de proteção.

Sobre o Projeto
O projeto Clima e Deslocamentos Humanos é uma iniciativa vinculada ao legado do Prêmio Nansen de Refugiados 2024, conferido à Irmã Rosita Milesi, e busca integrar a pauta ambiental aos direitos humanos de refugiados e migrantes no Brasil. O projeto tem como parceiros o IMDH/Fundação Scalabriniana e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).