O vídeo “Justiça Climática e Deslocamentos Humanos” apresenta uma odisséia visual que percorre mundos possíveis visceralmente interconectados. A narrativa inicia na floresta tropical onde a vida pulsa em equilíbrio dinâmico—uma família ribeirinha navega suas canoas, macacos colhem frutos, borboletas dançam sobre águas espelhadas, a natureza em sua plenitude. Mas rapidamente essa harmonia desmorona quando a motosserra chega, transformando a árvore viva em madeira comercial, floresta intacta em deserto, esperança comunitária em fuga desesperada. Cada cena subsequente revela como tudo está visceralmente conectado na teia de exploração: a árvore cortada no interior alimenta as fábricas das cidades poluídas; o desmatamento que enriquece poucos provoca a seca que expulsa muitos; as máquinas que exploram recursos naturais geram as mudanças climáticas que destroem comunidades inteiras.
A crise climática não é abstrata, não é futurista—ela arranca famílias de suas terras ancestrais, força pessoas a abandonarem casas que construíram com as próprias mãos, deixa crianças órfãs de paisagens que nunca mais verão, desenraiza povos que durante gerações pertenciam àqueles lugares com profundidade cultural e espiritual. O deslocamento humano que permeia toda a narrativa emerge como tragédia de proporções épicas: barcos de refugiados navegam em desertos que eram rios fecundos, casarões coloniais desaparecem sob inundações devastadoras, casas de madeira são submersas pela fúria das águas, pessoas se agarram desesperadamente a destroços da vida anterior. Tudo é deixado para trás—não por escolha, mas por necessidade brutal e estrutural.
Porém, a odisseia não termina em desespero absoluto. A narrativa audiovisual transita para mundos onde a reconstrução coletiva é possível e real: comunidades inteiras, mulheres protagonistas, crianças resilientes e imigrantes determinados trabalham juntos plantando árvores, construindo soluções sustentáveis, educando gerações sobre justiça climática. O vídeo demonstra que embora a crise tenha desconectado pessoas de suas raízes originais, existe a possibilidade concreta de reconexão—não com o passado irremediavelmente perdido, mas com um futuro construído coletivamente onde a solidariedade reparadora e o conhecimento ancestral repovoam um mundo em transformação.
A série “Trilhas do Conhecimento Climático” objetiva qualificar substancialmente o debate público sobre deslocamentos humanos causados por mudanças climáticas, oferecendo conceitos-chave que estruturam essa discussão contemporânea complexa. Ao recorrer a fontes confiáveis e estudos científicos rigorosos, o projeto evita simplificações reducionistas e contribui para uma compreensão mais profunda dos mecanismos sociais, ambientais e políticos envolvidos na produção do deslocamento. Esta abordagem fundamentada em evidências científicas cumpre propósitos complementares e estratégicos: primeiro, fornece ao público geral—estudantes, educadores, ativistas, formuladores de políticas públicas—um repertório conceitual sólido para interpretar fenômenos complexos com rigor; segundo, estabelece ponte significativa entre o conhecimento acadêmico especializado e as preocupações éticas e políticas que mobilizam a sociedade civil e organismos como UNHCR e IMDH.
Ao priorizar o rigor científico e a multiplicidade de perspectivas, a série também resiste a narrativas sensacionalistas ou moralizantes que frequentemente dominam discussões sobre migrações e clima, abrindo espaço crítico para análises que reconheçam as dimensões estruturais—desigualdades históricas, assimetrias de poder, vulnerabilidades diferenciadas por raça, gênero e classe—que explicam por que determinadas populações sofrem desproporcionalmente com os impactos das transformações ambientais. Dessa forma, “Trilhas do Conhecimento Climático” não apenas informa de maneira passiva, mas capacita ativamente: oferece ferramentas para que diferentes atores possam participar de debates públicos com maior profundidade crítica e consciência genuína das complexidades envolvidas.
Aconteceu na sexta-feira, 24 de abril, no auditório do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília, o
Na manhã de hoje (09), a Ir. Rosita Milesi e uma das coordenadoras do Projeto Clima e Deslocamentos Humanos, Beatriz
Na última sexta-feira, 27 de março, o projeto Clima e Deslocamentos Humanos – Nansen 2024 deu um passo decisivo para
Na última sexta-feira (27), a direção do IMDH e equipe de coordenação do Projeto Clima e Deslocamentos Humanos — Nansen
Neste primeiro semestre de 2026, o Departamento de Estudos Latino Americanos (ELA) da Universidade de Brasília (UnB) está criando a
O Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), da Congregação das Irmãs Scalabrinianas, vinculado à Fundação Scalabriniana, está desenvolvendo, em parceria
Inspirada pelo Prêmio Nansen concedido à Irmã Rosita Milesi, a publicação inaugura o Projeto Clima e Deslocamentos Humanos e propõe
O projeto Clima e Deslocamentos Humanos, ação concreta no âmbito do Prêmio Nansen 2024, acaba de lançar uma produção audiovisual
Iniciativa Clima e Deslocamentos Humanos já impactou mais de 600 pessoas em 13 cidades com a proposta de capacitar crianças,
Em um momento de aprendizado, mas também de grande troca de experiências e empatia, o projeto Clima e Deslocamentos Humanos