Colóquio encerra Projeto Clima e Deslocamentos Humanos e consolida legado em defesa da justiça climática

 

O Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), com apoio do ACNUR, realizou, no dia 23 de junho, em Brasília, o Colóquio de Encerramento do Projeto Clima e Deslocamentos Humanos 2024-2026, iniciativa que nasceu a partir do reconhecimento internacional concedido à diretora do IMDH, Irmã Rosita Milesi, vencedora do Prêmio Nansen para Refugiados de 2024.

O encontro reuniu mais de 80 participantes entre representantes de organismos internacionais, universidades, sociedade civil, instituições públicas, lideranças comunitárias, pesquisadores, migrantes, refugiados e integrantes da Rede Crise Climática e Deslocamentos Humanos.

O Colóquio foi uma oportunidade para celebrar os resultados alcançados e refletir sobre os próximos passos de uma agenda que ganha relevância crescente diante dos impactos das mudanças climáticas sobre a vida do planeta e de toda a humanidade.

O evento iniciou com a roda de conversa “Vozes do Caminho”, reunindo Luciana Hartmann, coordenadora da Rede Infâncias Protagonistas; Márcia Oliveira, professora da Universidade Federal de Roraima; Dione Fonseca, pesquisadora; e Robert Montinard (Bob), migrante haitiano e facilitador das oficinas realizados.

O diálogo permitiu compartilhar experiências, aprendizados e transformações geradas pelas atividades desenvolvidas em diferentes regiões do país, evidenciando o protagonismo das comunidades envolvidas e a importância da participação social na construção de soluções para a proteção de direitos das pessoas afetas pela crise climática.

Momento de destaque e relevância foi a apresentação da Rede “Crise Climática e Deslocamentos Humanos”, sob a liderança do professor Roberto Yamato, da PUC-RJ. A Rede é fruto das articulações promovidas pelo Projeto e, ao mesmo tempo, semente germinada de um espaço permanente de diálogo, cooperação, intercâmbio de conhecimentos e partilha de vivências e superações. Yamato afirmou que o convite recebido do IMDH e ACNUR para coordenar a rede o deixou muito honrado, e que o acolheu com grande disposição de dinamizá-la com ações que propiciem a reflexão e a implementação de políticas de proteção de direitos e de justiça climática.

Ponto significativo foi a apresentação, pela coordenadora do projeto, Vanessa Ponte, dos resultados das amplas e diversas atividades desenvolvidas ao longo do projeto, seguida de uma dinâmica de grupo, conduzida por Montinard com auxílio de migrantes e refugiados, que animou o ambiente e propiciou a participação de toda a plateia.

O Colóquio contou com a reflexão do representante do ACNUR no Brasil, Davide Torzilli, e a exibição de uma mensagem em vídeo do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi. Representando o Comitê Gestor, a professora Tania Tonhati destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento das discussões sobre proteção, mobilidade humana e justiça climática no país.

A diretora do IMDH, Irmã Rosita Milesi, ressaltou que o reconhecimento recebido com o Prêmio Nansen foi transformado em um compromisso coletivo voltado à construção de respostas concretas para os impactos das mudanças climáticas sobre as populações mais vulneráveis.

“Aquele reconhecimento internacional não poderia ser apenas uma celebração do passado. Precisava converter-se em ação concreta diante de um dos maiores desafios do nosso tempo: a crescente relação entre a crise climática e os deslocamentos humanos”, afirmou.

Rosita também destacou que o Projeto foi construído a partir da convicção de que as pessoas afetadas pelos impactos climáticos não devem ser vistas apenas como vítimas, mas como protagonistas capazes de produzir conhecimento, construir soluções e orientar caminhos para o futuro. Ao longo de um ano, centenas de pessoas participaram de ações em diferentes estados brasileiros, contribuindo para a reflexão sobre justiça climática, mobilidade humana e respostas coletivas para os desafios impostos pelas mudanças ambientais.

Em reconhecimento pelo apoio recebido foram entregues placas a instituições governamentais, como forma de reforçar o compromisso conjunto com a proteção de direitos, a mobilidade humana e a justiça climática. O gesto simbolizou o entendimento de que os desafios relacionados aos deslocamentos humanos exigem esforços coordenados entre sociedade civil, academia, organismos internacionais e poder público.

Marco importante foi também a apresentação das publicações produzidas no âmbito do Projeto, com destaque para o “Guia Prático para Transformações Sociais”, material que sistematiza aprendizados obtidos com mais de 900 participantes. A publicação reúne metodologias e recomendações construídas nas oficinas e foi elaborada para apoiar escolas, universidades, organizações da sociedade civil, pesquisadores e gestores públicos interessados em desenvolver ações voltadas à justiça climática, migração e direitos humanos.

 

O Projeto Clima e Deslocamentos Humanos não se encerra com as atividades até aqui realizadas. Conforme destacou Irmã Rosita, o Colóquio representa “um novo começo”, marcado pela continuidade das articulações construídas, pelo fortalecimento da Rede Crise Climática e Deslocamentos Humanos, pela ampliação das ações de formação e incidência política e pela busca de políticas públicas capazes de responder às novas realidades impostas.

O evento culminou com um trabalho coletivo de propostas e sugestões para prosseguir inspirados nas palavras do poeta Antonio Machado “o caminho se faz, caminhando”.