Secretária-Geral da Fundação Scalabriniana visita o IMDH e conhece seus projetos, em Brasília

A secretária-geral da Fundação Scalabriniana, Gaia Mormina, de nacionalidade italiana, em visita ao Brasil nesta semana, conheceu a sede e o trabalho do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) na capital federal. Acolhida por Ir. Rosita Milesi, diretora do IMDH e pelos colaboradores, colaboradoras e voluntários do Instituto, Mormina teve a oportunidade de conhecer de perto as múltiplas ações realizadas, incluindo a Casa Bom Samaritano e o projeto de acolhimento a famílias indígenas Warao. Ir. Janete Ferreira, Coordenadora Geral do Apostolado da Congregação e diretora do Conselho Diretivo da Fundação Scalabriniana, também participou em todas as visitas realizadas e contatos com a população nos vários estabelecimentos e atividades realizadas.

A Fundação Scalabriniana, com sede em Roma, foi fundada pela Congregação das Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas, atua em nove países, apoiando 14 organizações na Europa, África e América Latina. A visita de Mormina ao Brasil incluiu passagens por São Paulo, onde conheceu iniciativas como a Casa Madre Assunta e o Centro Educativo Cambuci, antes de seguir para Brasília, e agora, de 19 a 22/05, participa na III Conferência Internacional de Migrantes e Refugiados, promovida pelo Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios e a Fundação Scalabriniana.

“Minha permanência neste país maravilhoso, que é o Brasil, é a uma visita missionária”, explicou Gaia Mormina, que expressou admiração pela metodologia de trabalho do IMDH. “Como europeia e como diretora de Fundação, devo ser sincera que a metodologia que Rosita Milesi aplica para promover a acolhida, o reconhecimento e proteção de direitos, assim como à proteção humanitária de migrantes e refugiados, é muito interessante e apreciável”, afirmou.

Casa Bom Samaritano: um modelo de inclusão e autonomia
No domingo, 18 de maio, Gaia esteve visitando a Casa Bom Samaritano, acompanhada de religiosas da Congregação e pessoas interessadas em conhecer a obra. O espaço é um projeto viabilizado por três instituições: IMDH, AVSI Brasil e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Nesta visita, a secretária-geral destacou a atmosfera acolhedora e a eficácia do modelo. “Na Casa Bom Samaritano, além da beleza, do calor humano, do ambiente de família que se sente ao chegar, falando tecnicamente de projeto de recepção, acredito que seja uma experimentação única”, comentou.

A secretária ressaltou o acordo de corresponsabilidade entre a equipe diretora, o pessoal técnico e os migrantes e refugiados acolhidos. “As pessoas migrantes, sobretudo famílias, uma vez que aderem ao projeto, há um acordo recíproco, quando decidem participar deste projeto de inclusão, começam um percurso de autonomia que os leva a um trabalho e caminho de autonomia promissores”. Mormina elogiou a cogestão do espaço e o respeito à metodologia estabelecida. “O que é muito interessante, na minha opinião, é o acordo entre os gestores do projeto e as pessoas migrantes. A casa é gerida em conjunto, há respeito pelos espaços, há regras bem definidas, queridas e respeitadas por todos e todas, e isso permite caminharm juntos”.

Proteção humanitária aos indígenas Warao
A visita ao projeto de acolhimento das famílias indígenas Warao, que residem em área rural na região de São Sebastião, no Distrito Federal, revelou algo muito novo para Mormina. “Foi uma realidade absolutamente nova para mim. É impressionante ver como Ir. Rosita e os colaboradores, ao mesmo tempo trabalhando com as instituições, às vezes mediando articulações, conseguiram dar a essas aproximadamente 130 pessoas um espaço onde iniciar o seu caminho de inserção no Brasil .” Embora reconhecendo a particularidade da cultura Warao, ela se mostrou otimista quanto ao “caminho geracional” que pode levar a “uma mudança positiva”.

Desde a chegada dos primeiros grupos Warao, o IMDH, em parceria com outras instituições e o governo, tem sido crucial em prover apoio básico e buscar formas de acolhida digna. Houve muitos passos, em diferentes possibilidades, encaminhando famílias de acampamentos improvisados para espaços como a Casa de Passagem Raio de Luz e, posteriormente, apoiando a Comunidade Indígena Warao Coromoto para um espaço onde pudessem iniciar um processo de efetiva integração. Essa assistência vital incluiu muitas gestões com o Poder Público, o envolvimento de muitos apoiadores e colaboradores, o provimento de alimentação, auxílio para a documentação de modo a assegurar estada migratória regular no país, inclusão das crianças na Escola local, o acesso a políticas públicas, e fundamentalmente apoio na coordenação e capacitação dos membros da comunidade e melhoria das instalações na unidade rural em que se encontram.

IMDH: uma referência em Direitos Humanos e Migrações
Ao final de sua visita, Gaia Mormina definiu o IMDH como “um pedaço de história, de fundação. Para nós, o IMDH é um mito na Itália.” Ela elogiou a equipe, a pontualidade do trabalho, a especificidade das ações legais e o diálogo constante com as instituições.

“Isso permite não só às pessoas migrantes e refugiadas ter seus documentos, que é uma coisa muito prática e imediata, mas, em termos de direitos humanos, permite às pessoas migrantes que estão neste território reconhecer os seus direitos, de forma coletiva”, concluiu a secretária-geral, afirmando estar “muito contente” e considerando a experiência “muito fascinante”.