O Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH)/ Fundação Scalabriniana e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizaram no último sábado, 4 de outubro, no Rio de Janeiro, a primeira oficina do projeto “Clima e Deslocamentos Humanos”.
O encontro reuniu participantes de diferentes origens e trajetórias em um espaço de acolhida, escuta e aprendizado coletivo sobre os desafios que as mudanças climáticas impõem às populações em mobilidade.
A atividade marcou o início de um ciclo de 10 oficinas que serão realizadas em quatro regiões do país — Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Pará, Manaus e Rio de Janeiro — com o propósito de fortalecer comunidades migrantes, refugiadas e locais na construção de respostas solidárias e sustentáveis diante da crise climática.
Durante o encontro, os participantes compartilharam histórias, saberes e vivências sobre os impactos ambientais em seus territórios e como cada comunidade tem encontrado caminhos para se adaptar e resistir. O diálogo, conduzido de forma participativa, destacou a importância de valorizar o conhecimento das pessoas e comunidades que vivem diretamente os efeitos das mudanças climáticas, reconhecendo-as como protagonistas na busca por soluções justas e inclusivas.
Projeto nasce a partir do Prêmio Nansen
O projeto “Clima e Deslocamentos Humanos” nasce de uma visão comum entre IMDH e ACNUR: a de que cuidar da Casa Comum, o Planeta Terra, e proteger a dignidade humana, compromissos inseparáveis. A iniciativa integra o legado do Prêmio Nansen de Refugiados, concedido em 2024 à Irmã Rosita Milesi, diretora do IMDH, em reconhecimento à sua trajetória de mais de três décadas dedicadas à acolhida e defesa dos direitos de migrantes e refugiados no Brasil.
“O enfrentamento da crise climática passa, antes de tudo, pela escuta e pelo fortalecimento das pessoas e comunidades que mais sentem seus efeitos. São elas que nos ensinam, com sua sabedoria e coragem, caminhos de cuidado e esperança”, afirma Irmã Rosita Milesi.
Além das várias oficinas com crianças e adultos, o projeto prevê a criação da Rede Nacional “Clima e Deslocamentos Humanos”, reunindo representantes de diferentes regiões do país para o intercâmbio de experiências e a construção conjunta de propostas de ação. Também estão sendo produzidos materiais educativos e publicações que contribuirão para ampliar o debate público e inspirar políticas de proteção e justiça climática.
Com esta primeira oficina, o IMDH e o ACNUR reafirmam seu compromisso com a promoção da vida, da solidariedade e do respeito à dignidade humana, fortalecendo vínculos entre comunidades e semeando novas possibilidades de convivência e esperança diante dos desafios climáticos do nosso tempo.
