Tecendo justiça climática a partir da Amazônia: Projeto Nansen inicia novo ciclo em Belém

Há saberes que nascem do movimento, de corpos e culturas que atravessam fronteiras, carregando nas bagagens não apenas pertences, mas também a memória de territórios transformados. Nesse contexto, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH)/ Fundação Scalabriniana e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizam nos dias 24 e 28 de outubro, em Belém, a oficina do projeto “Clima e Deslocamentos Humanos”, as primeiras na Amazônia.

Na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, houve a primeira oficina promovida pelo Projeto Nansen no Norte do país. Dando início a um novo ciclo de atividades na região Norte, as oficinas “Caminhos da Justiça Climática e Deslocamentos Humanos” reuniram um grupo diverso de participantes, incluindo refugiados, migrantes e integrantes do povo Warao.

Mais do que um evento, esse foi um espaço de partilha e escuta profunda, onde as narrativas sobre território, pertencimento e a construção de um futuro sustentável ganharam novos contornos. A oficina partiu de uma premissa fundamental: entender a crise climática a partir do olhar de quem se desloca. Foram momentos de reflexão coletiva que identificaram não apenas os obstáculos enfrentados por essas comunidades, mas também as poderosas estratégias de resiliência que elas já praticam.

A atividade pertence a um ciclo de 10 oficinas realizadas em quatro regiões do país — Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas e Rio de Janeiro — com o propósito de fortalecer comunidades migrantes, refugiadas e locais na construção de respostas solidárias e sustentáveis diante da crise climática.

Projeto nasce a partir do Prêmio Nansen
O projeto “Clima e Deslocamentos Humanos” nasce de uma visão comum entre IMDH e ACNUR: a de que cuidar da Casa Comum, o Planeta Terra, e proteger a dignidade humana, são compromissos inseparáveis. A iniciativa integra o legado do Prêmio Nansen de Refugiados, concedido em 2024 à Irmã Rosita Milesi, diretora do IMDH, em reconhecimento à sua trajetória de mais de três décadas dedicadas à acolhida e defesa dos direitos de migrantes e refugiados no Brasil.

Este encontro reforça o compromisso do Projeto Nansen em cultivar ideias e fortalecer caminhos coletivos. É no diálogo entre diferentes experiências que surgem as soluções mais inovadoras e justas. Os deslocamentos humanos, embora representem grandes desafios, também são forças que transformam e renovam os modos de vida no planeta, carregando consigo histórias de luta, esperança e um profundo desejo de recomeço. Seguimos, juntos, tecendo essa rede de justiça climática, agora na região da Amazônia!