Delegação do Governo da Tailândia visita Casa Bom Samaritano para conhecer modelo de acolhida a migrantes e refugiados

 

A Casa Bom Samaritano (CBS), em Brasília, iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e da AVSI Brasil, recebeu no final de agosto a delegação do Governo da Tailândia para uma reunião técnica sobre acolhida, proteção e integração de migrantes e refugiados.

A visita integra uma iniciativa do governo tailandês em parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), voltada ao intercâmbio de conhecimentos, experiências e boas práticas com o Brasil.

O objetivo é oferecer subsídios, a partir de práticas bem sucedidas, para a revisão das políticas de gestão migratória da Tailândia – os focos são: proteção de refugiados, promoção da autonomia e busca de soluções sustentáveis.

Entre os temas de maior interesse da delegação está o modelo da Operação Acolhida, tanto em sua estrutura quanto em seu funcionamento, incluindo a participação de entidades da sociedade civil como a Casa Bom Samaritano.

Em sua visita em Brasília, a comitiva, acompanhada pelo ACNUR, esteve reunida com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e quis conhecer de perto, in loco, o modelo de acolhida e integração da Casa Bom Samaritano.  Na sequência, a comitiva tailandesa seguiu para Roraima, para conhecer a base da Operação Acolhida.

Durante o encontro na Casa Bom Samaritano, foram discutidos os desafios ligados ao atendimento de um número elevado e diversificado de solicitações de  refúgio, a integração em nível local, o sistema de proteção e as ações de acolhimento e assistência humanitária.

 

 

A Casa Bom Samaritano é um centro de acolhida temporária para famílias migrantes e refugiadas interiorizadas a partir de Roraima. As famílias podem permanecer gratuitamente por até 90 dias, período em que recebem moradia, alimentação, acompanhamento e orientação para acesso a serviços públicos, com o objetivo de inserir no mercado de trabalho ao menos um membro de cada núcleo familiar. Ao final do período, espera-se que estejam em condições de seguir de forma autônoma na comunidade.

Entre os aspectos observados pela delegação estão o método de cogestão, a apresentação prévia do projeto às famílias — que aderem livremente —, a preparação para a integração social e econômica e a facilitação do ingresso no mercado de trabalho. A Casa Bom Samaritano funciona já há cinco anos.

“Esse resultado só é possível porque construímos o trabalho em conjunto — governo, organismos internacionais e sociedade civil, cada um contribuindo a partir do seu lugar. Receber a delegação da Tailândia foi motivo de alegria: poder compartilhar o que aprendemos nesses cinco anos e, ao mesmo tempo, conhecer a realidade de um país tão diferente do nosso reforça algo em que acreditamos, que a cooperação entre povos fortalece o trabalho de acolhida, seja qual for o contexto em que a migração acontece”, afirma a diretora do IMDH, Irmã Rosita Milesi.

O encontro incluiu ainda uma reflexão sobre políticas públicas nacionais de proteção a migrantes e refugiados, com destaque para a articulação entre órgãos governamentais e instituições da sociedade civil, o fortalecimento da integração e da participação social, a promoção do trabalho decente, a cooperação entre diferentes níveis de governo e o uso de dados e evidências na formulação de políticas.